Seria mais fácil se a dor não existisse? Talvez, mas é ela que nos faz sentir vivos, é ela que nos faz crescer. Não faria sentido cair para ficar no chão. Quando uma criança cai por mais que chore aprende sempre a levantar-se, portanto já estamos preparados para isso desde pequeninos. Enquanto crescia sempre ouvi dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Palavras acertadas e sábias de quem já viveu muito e sabe bem que é assim.
Enquanto a nossa ingenuidade ainda é pura acreditamos que tudo é bom, depois quando tudo nos cai em cima é o fim do mundo. Custa, claro que custa mas depois das lágrimas e daquele aperto no coração a melhor coisa é quando o sorriso volta ao seu lugar. Por vezes imaginamos situações que achamos mesmo que vão acontecer, que vão ser como queremos, depois disso vem a desilusão, quando fazíamos aqueles castelos na areia e alguém passava por cima sem o ver, o sentimento é o mesmo.
O inevitável sofrimento humaniza-nos.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O amor faz falta
Será assim tão difícil ser boa pessoa?! Ter a capacidade para não pensarmos só em nós mas também nos outros, o querer ser honestos connosco e sentir o bom que é ser verdadeiro. Fazer de nós umas pessoas compreensivas, saber ouvir e poder dar a nossa opinião. Confiança. Poder ter a de alguém, confiar nas pessoas e dar razões para elas confiarem em nós, sentir a verdade mais uma vez. Ter coragem, ter a consideração do outro, ter consideração por eles e por nós, coragem para lidar com a verdade, MUITO IMPORTANTE, ver a mentira como o monstro que tens de baixo da cama, não gostas dele, não falas com ele, não te dás a ele, tens medo dele, vives sem ele e vives melhor.
Faz-nos falta a sinceridade. Querer a todo o custo o bem dos outros, o nosso também, mas qual é a razão para o nosso ter que ser sempre melhor do que o dos outros? O bem deles também não é o nosso bem?
Não vivemos sozinhos, não somos um "animal" solitário, "precisamos" de alguém. Quais são as coisas difíceis? Onde está a dificuldade de ser BOM? Gostar de ti próprio, SIM, gostar dos outros com tudo, dá-te a quem merece. onde está o radar que te dá o sinal a avisar quando alguém não te merece e não te quer bem, faz falta um aparelho desses, evitava tanta desilusão, evitava a frase: "Estou triste contigo". E dá o aperto no peito, lá vai uma lágrima, escorrem várias, uma a seguir à outra e ouves logo na tua cabeça as palavras que já saíram da boca de alguém, "Pois não, não te merece". Pois é, mas a dor continua e tens em frente mais uma coisa em que a solução é ultrapassar. Mais uma vez, ultrapassar, ultrapassar, ultrapassar, e passar só? assim com um estalar dos dedos? Não, ultrapassar.
E em tribunal a acusação era, crime cometido: infligiu a dor em alguém. A arma do crime: insensibilidade, egoísmo, ausência de consideração e respeito. Pena a cumprir: entre meia vida e vida e meia.
O amor faz falta.
O amor faz falta.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Sentado naquele banco de jardim, olhou para mim como se mais nada existisse. Fitei-o também, mas com o meu olhar só. Levantou-se, caminhou ao longo daquele passeio coberto de folhas caídas ainda do Outono, olhou uma última vez para trás, sorriu e seguiu, em mim uma lágrima escorria pela face “vermelha” e gelada, fôra esta a ultima vez que o vira.
As palavras soltam-se.
O Vento arrasta-as com a maior subtileza possível.
Elas encontram o mar e submergem nele.
Os seres que nele habitam fitam-nas com admiração, questionando-se, como algo tão belo pode estar perdido e esquecido no fundo do mar.
E num instante quimérico, elas emergem da penetrante água em que se encontram.
Voam livres, e no entanto em que elas passam os mais breves espaços de tempo a imaginar e a ter pensamentos utópicos, o Homem age, maldoso, e com necessidade agarra-as, prendendo-as, num simples e vazio, papel.
Por fim, a chuva cai sobre a tinta e neste preciso instante as palavras choram e sonham com os momentos em que foram livres e felizes.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Exteriorização
A escuridão rodeia-me, olho à minha volta e não consigo ver nada, não consigo sentir nada. Tento gritar e todo o esforço que faço é inútil, ninguém me ouve, ninguém está por perto, estou sozinha no vazio. A loucura invade a minha mente, a minha alma desfaz-se lentamente e transforma-se num pó, numa cinza, como a cinza de um cadáver carbonizado.
O meu corpo quer deixar-me, já que todos me deixaram no meio deste caminho sombrio. Descalça, despida, à tua espera, estendida com a minha mão gelada e pálida com um fio de sangue que escorre lentamente, provocado outrora por um espinho de uma rosa que apanhei com todo o fervor, a pensar em ti.
Lembro-me de ter vida, lembro-me do brilho dos teus olhos, o reflexo do sol no teu cabelo, o teu sorriso confiante e cheio de mistério. Agora, tudo é tão cinzento, calmo, sem alento, sem cor, sem movimento.
Eu observei-te, levantaste-te, começaste a andar sem me dizer onde ias, tentei chamar por ti mas fingiste não ouvir, nunca mais voltaste, por vezes ainda te espero, tenho esperança que te canses de andar longe e voltes.
Vestígios
O teu olhar, o teu cheiro
O teu corpo é o que eu desejo.
A minha alma sente
O que a tua boca mente.
A tua mão toca na minha suavemente
Os nossos lábios tocam-se lentamente
E tu deixas-me ir perdida
Dás-me com a tua palavra sentida.
Enrolados num turbilhão de emoções
Sentimos a revolta das sensações.
O poder do teu amor
Acaba com o poder da minha dor
E por instantes dou por mim sozinha
E à minha volta nada.
A ferida que abre e não sara
Perdi de vista a tua alma e a minha.
O outro
A tua voz suave, o teu olhar penetrante, o teu cheiro doce, as tuas mãos macias, o teu passo desajeitado. Deixas-me confusa mas feliz. A tua presença não me é indiferente e muda o sentido da minha viagem, as lágrimas escondem-se e dão lugar a um sorriso verdadeiro.
Fica…
Deixa-me olhar-te, deixa-me desejar-te, ouvir-te, cheirar-te, abraçar-te, sentir-te, tocar-te e beijar-te.
Deixa-me ser feliz.
Desocupar/Ocupar
Fico a pensar na rapidez com que desocupamos o coração de alguém.
Quando temos alguém que queremos que ocupe (vá anda lá ocupar) e não ocupa, podíamos escrever um aviso no jornal, “procura-se pessoa desocupada para ocupar tempo desocupado, casa desocupada, cama desocupada, coração desocupado."
Já ninguém ocupa nada, toda a gente quer andar desocupado, ocupar é coisa que está fora de moda (ocupar é um bocado anarquista).
Para quê ocupar ou sermos ocupados quando já estamos demasiado preocupados com o facto de não termos tempo porque estamos ocupados de mais.
Há um sério problema de ocupação de corações, de sentimentos e de verdades.
Sermos verdadeiros leva-nos ao caminho certo para ocupar o sítio certo. Sermos desocupados da verdade só nos leva a estar ocupados com sentimentos que deviam ser desocupados e que resultam numa ocupação inútil e conflituosa.
Preocupem-se em ocupar o que deve ser ocupado. O amor, a mente, a boca, a mão, o olhar, a mesa, o sofá, a escrita, a memória e o coração de alguém.
E os olhos choram
E os olhos choram
e a alma dói
e no peito moram
as dores que não passam
A lágrima cai
ao lembrar do pecado que cometeu
e o que supostamente passou
não passou na verdade
E o coração funciona só a meio gás
e há vontade
mas não consigo pôr para trás
E no peito apertam as saudades
E o corpo perde todas as vaidades
E a alma pesa
E a cabeça pesa
E os olhos choram
e a alma dói
e no peito moram
as dores que não passam
A lágrima cai
ao lembrar do pecado que cometeu
e o que supostamente passou
não passou na verdade
E o coração funciona só a meio gás
e há vontade
mas não consigo pôr para trás
E no peito apertam as saudades
E o corpo perde todas as vaidades
E a alma pesa
E a cabeça pesa
E os olhos choram
Engano
Fico a pensar e chego à conclusão que somos enganados por todos e por tudo que vem de todos os lados. Mas a conclusão pode ser outra, os que nos enganam também vão ter a vez deles de serem enganados, quanto mais não seja por nós, que já sabemos o estado da situação, deixamos os pobres coitados na inocência e guardamos no nosso coração (como uma lição) a mentira que lhes sai pelo pulmão!!
Por um fio
O velho caminhava pela linha como caminha um velho. E como é que caminha um velho? Caminha com um certo peso, curvado e devagar, porque já tem a vida toda a pesar, os ossos já estão fracos e os músculos desgastados. Já não pensa com clareza, chateia-se com pouco e preocupa-se com tudo, devia estar mais descansado mas não está. Porque? Todos os dias tem medo e pensa "será que é hoje que vou adormecer e não acordar amanhã?" Qual é o medo? Medo de não ter feito tudo o que queria? Medo não ter ido onde queria ir? Sente-se só porque o amor da vida dele foi embora, a cada dia que passava foi desaparecendo, não foi o amor que o deixou foi ela, ela que era uma pessoa que já não é. Ele sente-se perdido sem ela, não sabe viver sem ela, então acorda todos os dias sem vontade de se levantar da cama que outrora partilhavam. A cama tão grande que hoje está mais vazia, as fotografias com sorrisos irradiantes marcam presença por todo o quarto, que todos os dias trazem-lhe memórias daqueles dias bons, felizes, iluminados pelo grande amor que traziam dentro deles.
Ele espera pelo fim, sozinho, triste e arrependido.
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