segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exteriorização

A escuridão rodeia-me, olho à minha volta e não consigo ver nada, não consigo sentir nada. Tento gritar e todo o esforço que faço é inútil, ninguém me ouve, ninguém está por perto, estou sozinha no vazio. A loucura invade a minha mente, a minha alma desfaz-se lentamente e transforma-se num pó, numa cinza, como a cinza de um cadáver carbonizado.
O meu corpo quer deixar-me, já que todos me deixaram no meio deste caminho sombrio. Descalça, despida, à tua espera, estendida com a minha mão gelada e pálida com um fio de sangue que escorre lentamente, provocado outrora por um espinho de uma rosa que apanhei com todo o fervor, a pensar em ti.
Lembro-me de ter vida, lembro-me do brilho dos teus olhos, o reflexo do sol no teu cabelo, o teu sorriso confiante e cheio de mistério. Agora, tudo é tão cinzento, calmo, sem alento, sem cor, sem movimento.
Eu observei-te, levantaste-te, começaste a andar sem me dizer onde ias, tentei chamar por ti mas fingiste não ouvir, nunca mais voltaste, por vezes ainda te espero, tenho esperança que te canses de andar longe e voltes.

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