Fico a pensar na rapidez com que desocupamos o coração de alguém.
Quando temos alguém que queremos que ocupe (vá anda lá ocupar) e não ocupa, podíamos escrever um aviso no jornal, “procura-se pessoa desocupada para ocupar tempo desocupado, casa desocupada, cama desocupada, coração desocupado."
Já ninguém ocupa nada, toda a gente quer andar desocupado, ocupar é coisa que está fora de moda (ocupar é um bocado anarquista).
Para quê ocupar ou sermos ocupados quando já estamos demasiado preocupados com o facto de não termos tempo porque estamos ocupados de mais.
Há um sério problema de ocupação de corações, de sentimentos e de verdades.
Sermos verdadeiros leva-nos ao caminho certo para ocupar o sítio certo. Sermos desocupados da verdade só nos leva a estar ocupados com sentimentos que deviam ser desocupados e que resultam numa ocupação inútil e conflituosa.
Preocupem-se em ocupar o que deve ser ocupado. O amor, a mente, a boca, a mão, o olhar, a mesa, o sofá, a escrita, a memória e o coração de alguém.
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